quinta-feira, dezembro 22, 2005



Hoje, mais um ano passado, ao abrir o livro de receitas porque há receitas que só faço no Natal, tenho necessidade de ler as mesmas. Dentro do livro, o postal de Natal que a Zita me deu em 1973, no ultimo ano que estive na António Arroio, nunca me esqueço das palavras da Zita “nunca mais nos vamos ver” ao que eu respondia, que disparate, ela tinha a noção que nunca mais as nossas vidas se cruzariam, éramos todas meninas e meninos com grandes sonhos de sermos grandes artistas, alguns poucos conseguiram, são nomes famosos, que eu fico de nariz colado na televisão quando nela aparecem, outros vou sabendo por portas e travessas dos seus sucessos, fulana tal, casou com aquele escultor muito mais velho que ela, mas que interessa, o amor é assim mesmo. Outros se perderam nas curvas da vida, ou por necessidades maiores de fazer frente à vida, empregaram-se em coisas que nada tem a ver com o nosso curso, ou se foram diluindo no dia a dia do trabalho anónimo de cada um, penso muitas vezes em muitas e muitos colegas, que se calhar se cruzam na rua ou em transportes públicos quem sabe, certamente uns mais gordos, outros mais magros, já com cabelos brancos, irreconhecíveis, será?
Mas tu Zita, continuas a ser lembrada, todos os anos o teu postal me acompanha, na cozinha, a marcar as receitas que vou confeccionado, vou-te vendo magrinha sempre de calças, porque tinhas vergonha de ter as pernas magrinhas, ainda soube que tiveste dois filhos, e que ficaste viúva cedo, mas nunca consegui falar contigo durante estes anos todos.

Imagino a Susana que se chamava Dina mas todos lhe chamavam Susana, às voltas também na cozinha, ela era toda caseira já naquela época. De tantos que éramos, a única com quem ainda vou falando de ano a ano, é com a Alda, é ela que ainda vai sabendo de alguns. E assim é passado o tempo na cozinha, nesta época de Natal, recordando os sonhos de menina, lembro-me também (como canta o Carlos do Carmo), quando íamos como um bando de pardais há solta, pela rua com o nosso T super grande (instrumento antigo para desenhar no estirador), nos transportes públicos, sim, porque nessa época nenhum de nós tinha carro.
Fomos no último ano estrear a Escola nova, ali para a Picheleira, hoje já está velha, mas é nas Olaias, descíamos a Barão Sabrosa, e estávamos na Paiva Couceiro, uns seguiam para o lado do Chile e eu apanhava o eléctrico que hoje já não existe, até ao fundo da Afonso III, chegava a casa e adorava ir até há janela, olhar o Tejo, por vezes a ver se via o Montijo, só depois ia para o meu quarto.
A vista de minha casa era uma coisa linda, com o mar da Palha e todo o estuário do rio como fundo, os barcos atracados ou ao largo fazendo-se ao mar, como era e, é bonito o rio Tejo, a luz batia-lhe com um brilho diferente de qualquer outro lugar. Nas noites de passagem de ano, todos os barcos a tocar as sirenes e lançar fogo de artifício.

É assim, através do teu simples postal de Natal, fico todos os anos sonhando, com esta nostalgia própria da época Natalícia. Certamente nunca irás ler isto, só por uma grande coincidência, seria possível, mas todos os Natais te desejo a ti e outras pessoas que fui conhecendo ao longo da vida, tais como os amigos de Férias do Parque de Campismo do Ferragudo, que eram quatro rapazes e que só por mero acaso, nos encontrávamos todos anos na praia, eram muito amigos da Mariana e da Filipa, iam até as pocinhas de agua e traziam peixinhos e caranguejos para elas verem, assim como estrelas do mar e ouriços, no final do dia tudo voltava para as pocinhas das rochas, um sei que morava na Amadora e vivia com os pais, era o Chico, os outros, já não me lembro do nome, pessoas que se cruzaram comigo, deixaram marca e que apesar de toda esta tecnologia moderna, não tenho oportunidade de dizer directamente. E Aqueles que nestes seis meses se cruzaram, virtualmente, e me acompanharam quase dia a dia.
Um bom Natal.

domingo, dezembro 18, 2005

Uma prenda muito querida




Natal de Esperança
Nesta altura de Natal,
Não devemos esquecer
Dar um gesto de amizade,
Aos que estão a sofrer.

Quer seja no hospital,
Ou esteja em casa doente,
Que o Natal restitua,
A saúde a toda a gente.

Os desejos mais sinceros,
Para quem a saúde falta,
Dum Santo e Feliz Natal
E que em breve tenham alta.

Pra todos os doentinhos,
Fica a expressa vontade,

Que o Natal ponha termo,
À sua enfermidade.

Que o Menino Divino,
Lhes conceda essa mudança,
Para que este Natal,
Seja Natal de esperança!...

Autor: Euclides Cavaco
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