sábado, agosto 12, 2006

A ALMA DE UMA BALEIA
Era uma vez um corvo estúpido e vaidoso que voou para muito, muito longe, pelo mar dentro. Voou, voou até que se sentiu cansado. Olhou para todos os lados à procura de um lugar onde descansar, mas não viu terra. Ficou tão cansado que mal tinha forças para bater as asas. Quando estava quase a mergulhar no oceano, viu surgir à superfície uma grande baleia e voou, direitinho, em direcção à boca dela.
Enquanto caia pelas goelas da baleia abaixo, pensou que iria morrer. Mas encontrou uma pequena casa, arrumada, cheia de luz e de conforto. Era feita de osso de baleia e mobilada como as casas dos homens. Na cama estava sentada uma jovem, que segurava uma lanterna acesa. Deu as boas-vindas ao corvo dizendo: - Está à vontade! Mas, por favor, nunca toques na minha lanterna.
Ele prometeu nunca lhe mexer.
A jovem parecia muito inquieta. Estava sempre a levantar-se, saia pela porta e voltava a entrar.
- O que se passa, perguntou o corvo.
- Nada, respondeu a jovem. É a vida! A vida e o ar que respiramos.
O corvo começou a sentir curiosidade pela lanterna da jovem e, assim que ela voltou a sair do quarto, tocou na vela da lanterna. Imediatamente a rapariga caiu de cabeça pela porta fora e morreu. A vela da lanterna apagou-se.
Agora de nada valia ao corvo arrepender-se. O mal estava feito. A bela e confortável casa desaparecera e ele encontrava-se no meio de uma profunda escuridão, sentindo, à sua volta, o cheiro do óleo e do sangue da baleia.
Tentou encontrar a saída, mas só conseguiu andar às voltas sentindo o calor aumentar e perdendo as penas. Estas esvoaçavam em círculos e ele sufocava quase morto.
A rapariga era a alma da baleia e atravessava a porta para apanhar ar fresco de cada vez que a baleia respirava. O coração da baleia era a lanterna com a sua chama constante. Quando o corvo tocou na lanterna, apagou a chama do coração da baleia. A baleia morrera e o corvo estava preso dentro dela.
Lutou para sobreviver no meio do sangue e da escuridão e, por fim, conseguiu arrastar-se para fora da boca. Exausto, atirou-se para cima da carcaça flutuante. Por sorte começou uma tempestade que os empurrou em direcção a terra. As pessoas viram a carcaça da baleia e saíram nos seus caiaques para a puxarem para terra. O corvo viu-os e transformou-se num homem.
Em vez de dizer "meti-me com uma beleza que não compreendi e destrui-a", disse, gabando-se aos outros homens: "Matei a baleia! Matei a baleia!"
E como era uma proeza muito grande nessa altura, tornou-se numa pessoa importante entre os homens.

(Uma lenda do Alasca, publicada no "Terra do Nunca", Ano IV, nº 294 - 22OUT2002)

É de interessante a data da primeira manifestação contra a apanha das Baleias.

José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência do Brasil, foi sem sombra de dúvida a primeira pessoa no planeta a insurgir-se, já em 1790, contra a matança desenfreada e criminosa das baleias, e o primeiro também a condenar o massacre das baleias francas na costa brasileira, escandalizando-se com os seus métodos de puro desperdício. Em contundente Memória publicada em Lisboa naquele ano, nos Anais da Academia Real das Sciencias, José Bonifácio denunciava: "Deve certo merecer também grande contemplação a perniciosa pratica de matarem os baleotes de mamã, para assim arpoarem as mães com maior facilidade. Tem estas tanto amor aos seus filhinhos, que quase sempre os trazem entre as barbatanas para lhes darem leite; e se por ventura lhos matam, não desamparam o lugar, sem deixar igualmente a vida na ponta dos farpões: He seu amor tamanho, que podendo demorar-se no fundo da agua por mais de meia hora sem vir a respirar acima, e escapar assim ao perigo, que as ameaça, folgam antes expor a vida para salvarem a dos filhinhos, que não podem estar sem respirar por tanto tempo. Esta ternura das mães facilita sem duvida a <pesca (...)" He fora de toda a duvida, que matando-se os baleotes de mamã vem a diminuir-se a geração futura; pois que as baleias por uma dessas sábias leis da economia geral da Natureza só párem dois em dois anos um único filho(a) ; morto o qual perecem com ele todos os seus descendentes (...) Os relatos coincidentes sobre o comportamento de não abandonar os filhotes arpoados ou feridos,

observado nas matanças de Santa Catarina, são corroborados por relatos de caça da espécie em outras áreas de reprodução, como ocorreu notadamente na Nova Zelândia, onde igualmente os filhotes eram arpoados primeiro. Com a baleia franca boreal (Eubalaena glacialis), idênticos eventos foram registrados por baleeiros da baía de San Sebastián, no Norte da Espanha.
(Meu bizavó materno era Holandês e ia apanhar baleias para os Açores, ao conhecer os Açores por lá ficou e dai ter nascido minha avó materna).

10 comentários:

clara jorge grandini disse...

BOA tarde amiga ALDORA espero que voce e todos em casa estejam bem ,amiga lindo teu post e a historia quer dizer que tua bisavó fez parte disto tudo maravilha .amiga passei para te deixar um carinho .

((( PENSEM NISSO ))) Você é uma estrela No universo existem algumas estrelas,,
que brilham mais do que as outras, e VOCÊ é uma delas...
Continue sempre irradiando o brilho de sua luz interior a todos que te rodeiam,
sempre mais e mais. Não deixe nunca sua estrela se apagar, pois ela é a
luz de nossas vidas. Siga os seus sonhos, faça você sempre feliz
pois o futuro pertence áqueles que acreditam em seus sonhos.

desejolhes um otimo fim de semana com todo carinho da amiga e fãn big beijinhos CLARA ops fui

ventor disse...

A matança das baleias é mais um dos crimes cometidos pela nossa espécie a que tão pomposamente chamamos de humanidade. Cada vez tenho menos dúvidas que os animais selvagens são-nos bem superiores em questão daquilo a que chamamos humanitarismo. Até a própria víbora só morde quando sente a vida em perigo. Nós, os ditos humanos, somos realmente o pior bicho que mora no planeta Terra. As baleias são apenas um exemplo, mas temos muitos outros. Um dos que nos toca a todos é a questão das touradas. São muitos os pulhas neste país que vivem à custa das touradas e do sacrifício infligido a esse nobre animal - o touro. Sempre que esses ditos humanos que infligem tanto martírio aos touros é furado pelo chifre desse nobre animal, eu faço uma festa! E sempre que esses porcos dos canais televisivos dão touradas eu deixo de ver os seus programas. Já deixei há muito tempo de ouvir a Rádio Renascença por causa das touradas e é praticamente impossível ver TVI e Canal Um. Qualquer canal que vejo dar essa pulhice feita por todos esses asnos, não volto lá mais. Pelo menos em minha casa é Canal morto. Obrigado pela linda história que contaste. Bjs.

Taliesin disse...

Oi minha amiga, muito interessante a lenda dos inuit, mas sobre o Jose Bonifásio olha eu tenho minhas duvidas se ele realmente estava com boas intenções, considerando q o "patriacar da independencia" era um grnade corrupto, só podeira dar o q o Brasil é hoje, ai vem a pergunta será q ele brigava para proibir a matança pois nãotinha uma percentagem no q era obtido com a caça? será q ele realmente estava preocupado com magnificos mamiferos?
beijos

jo disse...

Que engraçado também já inclui a foto da concha e do mar no meu blog. Será que viajámos juntas e não nos falámos?
Fica bem e um beijão

Patricia disse...

Olá
Adorei o texto contra a matança das baleias!
O ser humano diz-se ser superior, mas só anda a destruir o planeta onde vive e os habitantes que já cá estavam, é triste...
Ainda bem que existem pessoas como tu, sensiveis a estas causas!
Adorei o teu quadro...
Ofereço-te o meu Award.
O teu blog merece!
Desejo-te uma optima semana!

Bjokas**

Mary Help disse...

Adorei seu lindo blog, adorei o que escreves e as fotos e figuras colocadas e essa lenda do Alasca, muito 10! Parabéns pelo blog e pela pessoa que expressas ser!
Tenha um grande dia e receba um beijinho no seu coração, Mary Help!!!

Luisa disse...

Sobre a matança de baleias parece que já se disse tudo e contudo nada é suficiente. Gostei muito da lenda da baleia do Alasca que foca outro aspecto do problema, o dos que caçam baleias para sobreviver como era antigamente nos Açores e que a tua bisavó decerto testemunhou.

Filipe Freitas disse...

Parece que consegui aqui chegar...
Mais de uma hora para conseguir colocar comentário em DOIS blogs é demais !
Como não nos devemos queixar do Servidor !!!
Um texto muito interessante que publicaste sobre as baleias.
E por mais campanhas e leis que se façam elas continuam a ser mortas sem piedade...
Uma boa semana.
Bjs.

Arodla disse...
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collybry disse...

É sempre bom lembrar destas e outras matanças da nossa natuteza...Bem hajas por isso, belo texto...
Meu esvoaçar...
Cõllybry