terça-feira, agosto 29, 2006

Trabalho de menino é pouco, quem não o aproveita é louco.


Hoje lembrei-me de quando eu tinha os 13 ou 14 anos conheci uma velhota que era a D. Cristina, a história de vida daquela mulher tinha sido uma lutadora, tinha ficado viúva muito cedo com dois filhos pequenos, morava em pleno centro da cidade, num 4.º andar de um prédio muito antigo, quando enviuvou, para fazer face ás despesas desfez a casa para a transformar em vários quartos para alugar, um deles era chamado o quarto independente que era normalmente nesses prédios antigos um que tinha porta independente do resto da casa e tinha uma sala e um quarto, aí por essa altura habitava um familiar meu, fazendo com que eu viesse a conhecer a D. Cristina, como disse velhota careca mas sempre com uma cabeleira postiça para não se ver a falta de cabelo.
Ora tendo um dia utilizado a casa de banho da D. Cristina, vi que estava com a pintura muito velha o branco estava amarelo, o autoclismo, daqueles antigos pendurados na parede com um fio de puxar muito cheio de ferrugem, os canos que passavam pela parte exterior da parede todos ferrugentos, não dava nada com a pessoa, aquela casa de banho, pois ela era super asseada, e gostava de ver tudo limpo, e disse-lhe, D. Cristina porque não pinta sua casa de banho, ficava logo com outro aspecto? Ela respondeu-me que quando era mais nova e tinha mais força pintava, mas agora já não tenho mais forças, além de que tenho muito medo de cair do escadote.
- Aí eu disse, mas não há problema eu pinto-lhe a casa de banho! - Ora deixe de brincar comigo!
- Não eu estou a falar a sério não me custa nada, disse eu, e na verdade eu pintei-lhe a casa de banho sem me ter custado nada, ficou como nova, ela ficou super feliz quis pagar-me mas não eu claro que nada aceitei, pois tinha feito por gosto.
Hoje lembrei-me disto porque sou muito mais nova que a senhora era naquela época, e já fico muito cansada cada vez que pinto um quarto, porque eu gosto de ter sempre tudo com um ar limpo, e bonito.
Na altura nem me apercebi quanto tinha sido importante para aquela senhora a minha ajuda.

Se fosse hoje se calhar se falaria de exploração do trabalho infantil, quando afinal foi um acto de alegria poder pintar aquelas paredes enegrecidas pelo tempo, pintar a tinta de esmalte branco aquele autoclismo aqueles canos tudo me tinha dado imenso prazer, ver que ia ficando lindo. Estava de férias e os dias passaram mais rápidos assim. Acho que se chegou ao exagero na nossa sociedade que as crianças não podem fazer nada que seja trabalho, porque é exploração infantil. Desde que não seja prejudicial para a sua integridade que mal faz uma criança varrer um quintal como eu fiz tantas vezes na casa de minha tia ou regar as flores e outras coisas que para dizer a verdade me davam imenso prazer. Ou será que as crianças de hoje a partida, já não acham graça a fazer essas coisas.

11 comentários:

Filipe Freitas disse...

Recordações de infância que nos ficam marcadas para sempre, ao ponto de estarmos a pensar nelas e a "ver" tudo o que se passou...
Não deixa de ser uma saudade, um acontecimento que ficou no coração...
Beijinho.

Papoila disse...

Olá Arodla! Gostei da história de hoje e concordo que tudo aquilo que dá prazer a uma criança fazer, não pode ser considerado trabalho... caímos no exagero sim e estamos a cortar asas ao sonho a criar autómatos... Fizeste-me recordar que o brinquedo que mais prazer me deu foi um avental e lenço de cabeça, um pano do pó, uma pá e vassoura tudo à minha medida...6 anos... que me deixaram usar casa fora e quintal...

Taliesn disse...

Minha amiga q bela passagem da sua vida, o q vc fez posso dizer q para ela significou muito vc fez por prazer e alegria, mas imagino a alegria dela com certeza era inda maior.
beijos

Regina disse...

eR ad sohnijieB
êcov à odacided opmet uem siE
ele arap opmet erpmes ret é ortuo o ramA
etnerefid ohnirac mu raxied uov ejoH
arodlA iO

hehehe

Anónimo disse...

Olá!..Gostei desta história,mas poderia ser real,pois algumas parecidas com esta,eu as tenho,mas o mundo de hoje,ou aquele que não é da minha geração,tem algumas diferenças,da luta de poder,do salve-se quem poder,e só assim ele é vivido,o dinheiro sempre a moeda,porque terá de ser assim,pois eu tenho na minha lembrança de criança,de ter de fazer de comer em cima de um banco,não tenho vergonha mas sim orgulho no que fiz,e me tornei uma mulher de corpo inteiro,e sempre pronta para ajudar o proximo.
Um beijinho amigo de uma amiga virtual,mas que gosta de conversar.
Maria Elisa

Quico disse...

Olá, Aldora! Se ouvisses o Ventor falar sobre isso, se calhar até tu dirias que ele viveu numa sociedade esclavagista. Como o Ventor diz, trabalha desde que nasceu! Não acreditas? Mas ele diz que nunca ninguém o escravizou, porque o seu trabalho foi sempre livre e da sua vontade. Trabalhou grátis (de borla), trabalhou a ganhar algum e, de quaquer das maneiras, trabalhou sempre com muita alegria. Nunca ninguém o viu triste no trabalho, mesmo quando batia os dentes a tiritar com o frio! O primeiro dinheiro que ganhou tinha 11 anos e o seu primeiro empregador foi o melhor amigo que teve nos seus tempos de criança. Ele cortou tojo, cortou urzes, fetos, feno, semeou pinhões, plantou carvalhos, castanheiros e, para isso, abriu covas à homem. Lavrou terras, semeou milho, regou milho, sachou milho, cortou milho, fez esfolhdas, plantou e cavou batatas e foram os melhores tempos da sua vida. Escravatura há agora apenas porque não os ensinam a fazer nada e porque se os deixarem eles apenas se entretêm com as drogas. E uns e outros vivem como se fossem muito felizes! Um abraço para o Charlie e Bjs. para ti.

oteudoceolhar disse...

Minha doce menina dos gatinhos :) adoro-te sabias?
Não peço desculpa pela ausência porque já sabes os motivos e só fico feliz por andares ausente do meu blog e estares em tão boa companhia e a fazer coisas que te dão tanto gosto. Gostei tanto de saber que a minha menina é como sempre foi coração de ouro...a D.Cristina jamais deve ter esquecido da tua atitude e deves ter sido motivo de conversa muitas vezes aposto :). O tempo passa não é minha querida:)? Chama-se vida...pois claro. Miga beijo imenso n´oteudoceolhar ***

Regina disse...

Bom diaaa Aldorinha!
Hoje é sexta-feira e como eu sei que você cultiva a fé divina, então vamos pedir uma força, para que o final de semana seja muito bom, com paz, amor, sol... Mas se aparecer uma chuvinha, não ligue, aproveite para andar um pouco junto com ela. Você vai ver como é bom...
Beijos com todo meu carinho.
Regina

Samara Angel disse...

oieeeeeeeeee,querida amiga que lindo esse gatinho é muito fofo,inha linda vim te ver deixar um carinho e desejar um fim de semana muito feliz,muita luz em sua vida,bjssssss

collybry disse...

Olá, amiga dos lindos gatitos voadores, as marcas ficarão em nós
de quando crinças,e algumas como o Povo diz o tempo não tira, na minha janela tem um artigo sobre a escravatura presente e por demais preocupante no hoje, pior do que no passado infelimente...crinça, deveria ser amor, depositar nela todo o sentimento de amor, educando claro está...
Gostei muito da história...pois voltarei até lá deixdo
meu esvoaçar...
Cõllybry

Mariana Loureiro disse...

ola,
olha ve la se fazes publicidade ao meu blog que ninguem faz comentários no meu:
www.psicomotricidadeviva.blogspot.com
bjs até amanha,
mariana