quinta-feira, setembro 21, 2006

OUTONO






O Outono começa no dia 23 Setembro e vai nos acompanhar durante os próximos três meses. Os dias vão ficando mais curtos, a luz fica mais amarela e deixa de ter tanto brilho.
O mês de Setembro anuncia a chegada das vindimas, a colheita das uvas e a feitura do vinho.
Os casacos e a roupas mais quentes começam a sair dos roupeiros para nos aquecerem nos dias mais frios, o chão fica coberto de folhas secas, gradualmente os dias começam a ficar húmidos e ficamos com a sensação de haver sempre uma chuva miudinha no ar, esporadicamente e conforme os anos podemos ainda ter dias ou semanas muito bonitos. Já em Novembro, vem o São Martinho, mês em que se assam as castanhas e prova-se o vinho novo, nas ruas de Lisboa começam aparecer os vendedores de castanhas assadas que as vendem conforme a tradição, à dúzia ou meia dúzia, embrulhadas em folhas de papel das listas telefónicas já desactualizadas.
As constipações começam a surgir de mansinho, primeiro o nariz entupido, depois a tosse, dores no corpo, em suma a gripe que, com febre nos põe de cama por dois ou três dias. As crianças e as pessoas idosas são as mais afectadas por este mal.
Ninguém relaciona Outono com a população mais nova e activa, sejam trabalhadores ou estudantes, talvez por isso eu não aprecie o Outono, traz-me à lembrança pessoas com dificuldade em se mexer e com um ar pouco saudável.
Os dias cinzentos e chuvosos já perto do Inverno, são quase sempre um convite para nos embrulhar num cobertor a ver filmes em frente à televisão, beber chá quente e comer bolinhos ou chocolates.
Tento todos os anos gostar da beleza nostálgica e tão peculiar desta época, mas é bastante difícil, verdade seja dita que, sem ela eu não daria tanto valor à Primavera e ao Verão e talvez por isso, eu lhe perdoe todos os anos a sua insistência em se colocar na minha vida.

Se pudesse fazia como os ursos e outros hibernadores, colocava-me numa gruta, fechava os olhos e voltava a acordar lá para Março ou Abril.


Eça de Queiroz, grande romancista Português do final do século dezanove, num dos seus romances “Os Maias”, quando descreve a Casa do Ramalhete como sendo uma casa pouco simpática, transmite um pouco o relacionamento de Lisboa com o Outono. Uma boa leitura para os dias que se aproximam.


“A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no Outono de 1875, era conhecida na vizinhança da Rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela Casa do Ramalhete ou, simplesmente, o Ramalhete. Apesar deste fresco nome de vivenda campestre, o Ramalhete, sombrio casarão de paredes severas, com um renque de estreitas varandas de ferro no primeiro andar, e por cima uma tímida fila de janelinhas abrigadas à beira do telhado, tinha o aspecto tristonho de residência eclesiástica, que competia a uma edificação do reinado da Sr.ª D. Maria I: com uma sineta e com uma cruz no topo, assemelhar-se-ia a um colégio de jesuítas. O nome de Ramalhete provinha decerto de um revestimento quadrado de azulejos fazendo painel no lugar heráldico do escudo de armas, que nunca chegara a ser colocado, e representando um grande ramo de girassóis atado por uma fita onde se distinguiam letras e números duma data.
Longos anos o Ramalhete permanecera desabitado, com teias de aranha pelas grades dos postigos térreos, e cobrindo-se de tons de ruína. Em 1858, Monsenhor Buccarini, núncio de S. Santidade, visitara-o com ideia de instalar lá a nunciatura, seduzido pela gravidade clerical do edifício e pela paz dormente do bairro: e o interior do casarão agradara-lhe também, com a sua disposição apalaçada, os tectos apainelados, as paredes cobertas de frescos onde já desmaiavam as rosas das grinaldas e as faces dos cupidinhos. Mas Monsenhor, com os seus hábitos de rico prelado romano, necessitava na sua vivenda os arvoredos e as águas dum jardim de luxo: e o Ramalhete possuía apenas, ao fundo de um terraço de tijolo, um pobre quintal inculto, abandonado às ervas bravas, com um cipreste, um cedro, uma cascatazinha seca, um tanque entulhado e uma estátua de mármore (onde Monsenhor reconheceu logo Vénus Citereia), enegrecendo a um canto na lenta humidade das ramagens silvestres. Além disso, a renda que pediu o velho Vilaça, procurador dos Maias, pareceu tão exagerada a Monsenhor, que lhe perguntou sorrindo se ainda julgava a Igreja nos tempos de Leão X. Vilaça respondeu – que também a nobreza não estava nos tempos do Sr. D. João V. E o Ramalhete continuou desabitado.



Espero que gostem das novas imagens.

Fotos das minhas Gatas, e montagens feitas com os meus novos conhecimentos.

domingo, setembro 17, 2006

AFINIDADE

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AFINIDADE

Afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem ao tempo e ao depois
A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais subtil, delicado e penetrante dos sentimentos
É o mais independente também.

Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afecto no exacto ponto em que foi interrompido.
Ter afinidade é muito raro.

Mas, quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.

Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavras. é receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com,


Não é sentir contra,
Nem sentir para,
Nem sentir por,
Nem sentir pelo.
Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. é olhar e perceber.
É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças.
É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades vividas.

Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida.

Texto de Arthur da Távola


Aqui fica mais umas assinaturas das ultimas visitas, falta uma que depois farei.

Aqui deixo porque vem chegando o Outono tempo das castanhas
Uma receita


Bolo de castanha

1 kg de castanhas
250g de chocolate amargo

250g de açúcar
¾ l de leite

100g de manteiga

100g de miolo de noz
1 limão(só o vidrado da casca)
Dê um corte nas castanhas de modo a atingir também a pele interior e escalde-as em água temperada com um pouco de sal, durante 10 minutos.
Escorra-as e pele-as.

Leve-as agora a cozer num tacho tapado, com o leite mais a casca do limão.
Passados 20 minutos acrescente o açúcar, deixe cozinhar mais um pouco até o açúcar dissolver completamente.
Passe as castanhas pelo passe-vite, disco fino.
Junte-lhes o chocolate derretido com a manteiga em banho maria e as nozes picadas.
Misture muito bem e deite tudo numa forma redonda, forrada.


Que o jardim de nossa amizade permaneça sempre cheio de flores.
Tenha uma óptima semana!
Beijos doces para Todos