sexta-feira, novembro 17, 2006

"Estou para aqui sentada em frente ao computador a trabalhar. Como sabe bem nestes dias em que chove lá fora ficar no aconchego do lar…enroscadinha num cobertor e na companhia de uma musiquinha e dos meus gatitos. Mesmo que à frente esteja um computador e não um livro e na nossa mente esteja trabalho e não uma história qualquer que nos leve a um outro imaginário, é uma sensação fabulosa de conforto e bem-estar, que penso que apenas os dias de Inverno nos proporcionam. E estava eu aqui neste sossego junto com Charlie que me fazia companhia nesta agradável tarde, quando algo pequenito e chato nos veio perturbar. Uma mosca…uma simples e singela mosca conseguiu tirá-lo do sério e acordou-o.
"Abriu um olho e depois o outro, ficou à espreita…e não resistiu, deu um salto e lá foi ele atrás da mosca. Continuei o meu trabalho, vendo-o pelo canto do olho aos saltos e fazendo emboscadas à dita mosca. Passado algum tempo veio de novo aconchegar-se nas minhas pernas. Desistiu, pensei eu. Ou não…passado uns breves instantes a mosca veio de novo como que a provocar…fez-lhe uma tangente …e mais outra…e como gato que é gato não pode ficar-se quieto com tamanha provocação, zás entre um voo e outro lá foi ele de novo para trás da senhora mosca. Continuei a teclar enquanto eles andavam os dois numa roda viva. Quem os visse quase que parecia que brincavam um com o outro, a mosca fazendo voos rasos pelo chão junto a ele…e ele aos saltos feito louco. Até que de repente…de patas esticadas contra o sofá o Charlie parou. Parou e ali ficou, muito quieto e no que parecia, um grande dilema. Olhou para mim como que a pedir ajuda…”Que fazer?” parecia perguntar com os seus redondos olhos castanhos. Levanto-lhe a pata duvidando que ele tivesse mesmo apanhado a mosca, mas para grande surpresa minha ela saiu debaixo da pata dele e voou …E pronto lá recomeçou o jogo…a mosca voa, para cá para lá,…ele segue-a com o olhar e pula… Acho que vão ficar assim horas…"

Escrito por Filipa para os que não sabem é uma das minhas filhotas


GATO QUE BRINCAS NA RUA


Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

Poema "Gato que brincas na rua", de Fernando Pessoa.

segunda-feira, novembro 13, 2006

Aqui está o Gif oferta da Cris (Blog petite Cherie), está muito bonito não está.
Por motivo de força maior não pude vir ao computador durante a semana passada, nem para fazer os meus bonequinhos que tanto gosto. Não me sentei, aqui à frente de janelinha como diz o meu amigo Quico, do Ventor, mas ontem dia de S. Martinho tinha que deixar umas castanhitas para todos, as fotos são das castanhas do ano passado mas ainda estão quentes, pois virtualmente é possível deixa-las aqui como acabadas de fazer, as deste ano são cozidas, com erva doce.
A água pé estava muito boa, como a dos outros anos, apesar de ser proibida a sua venda, há uma quinta próxima de minha casa, que faz uns litros para os seus clientes mais antigos, por isso acompanhem-me nesta gostusura, como dizem os meus amigos de Pirangi.
Espero durante esta semana conseguir pôr as visitas em dia pois tenho saudades de todos, um beijinho especial para a Elisa, que não tem blog, porém sempre me deixa carinhos.

Hoje vou contar uma coisa me aconteceu a alguns anos.
Eu trabalhava em Linda-a-Velha, junto a um bairro um pouco problemático e muitas colegas minhas tinham sido assaltadas ao sair do emprego, uma delas ao entrar no carro tinha pousado a mala no lugar do pendura, e um ladrão abriu a porta e roubou-lha, tendo eu contado isto ao meu marido, ele disse-me para eu passar a conduzir sempre com as portas trancadas por dentro para que ninguém as pudesse abrir por fora. Nessa altura trabalhava por turnos e por vezes saia ás 9 horas da noite, o meu carro era um velho Renault 4 L. Pois um belo dia saí do emprego, meti-me no meu belo carrinho com as portas trancadas por dentro não fosse o diabo tece-las e quando já vinha a conduzir, reparei que nada via pelo espelho retrovisor pois os vidros
traseiros do lado de fora estavam cheios de humidade, tinha que parar para resolver o assunto (levava o auto rádio ligado, a mala com a carteira, dinheiro e o telemóvel ao meu lado), aproveitei um sinal vermelho, saí do carro com um pano para limpar os vidros deixando o carro a trabalhar com a chave na ignição e no momento em que saí a porta fechou-se, fiquei do lado de fora com o carro ligado, trancado, num sinal vermelho com tudo o que era automobilista a buzinar.

Sem chave nem telemóvel, sem dinheiro para fazer uma chamada para casa a pedir socorro, sem absolutamente nada e sozinha no meio da rua numa noite de Inverno, o carro continuava a trabalhar sem ir a baixo e eu tentando arrombar a porta, mas nada, não tinha jeito para ladrona de carros, não consegui e estava desesperada, por fim parou um carro atrás de mim e eu tive pela primeira vez na minha vida a coragem de pedir uma moedinha para poder telefonar para casa, nunca até ali pensei ter que pedir na rua imaginem a situação, no dia seguinte quando contei as minhas colegas elas nem queriam acreditar, lá liguei para o meu marido me levar o duplicado das chaves, entretanto fiquei ali no meio da rua à espera, até que passou um taxista que me perguntou! - A senhora se quiser eu abro-lhe a porta mas não conte a ninguém, ora eu queria era sair dali, disse-lhe logo, abra por favor, ele em segundos meteu uma coisita na fechadura e abriu-me a porta, agradeci-lhe e quando o meu marido chegou junto de mim já eu estava outra vez dentro do carro. Isto para vos contar que nas alturas mais inesperadas podem nos acontecer as coisas mais incríveis.
Aqui ficam algumas receitas de doces feitos com castanha, muito bons.

Receita da região Beira Alta

Receita para 4 a 6 pessoas
Ingredientes:
1 kg de castanhas muito sãs
250 g de miolo de amêndoa
500 g de açúcar
2,5 dl de água
1 vagem de baunilha
4 gemas
2 claras
2 colheres de sopa de manteiga

Preparação:
Dê um golpe nas castanhas e coza-as durante 8 minutos com bastante água. Escorra-as muito bem, de seguida descasque-as e retire as peles enquanto estão quentes. Reduza a puré e reserve. Escalde as amêndoas, escorra-as e pele-as de imediato. Passe pela máquina. Num tacho de fundo forte, leve ao lume o açúcar com a água e a vagem de baunilha. Deixe ferver até a calda atingir o ponto de pérola. Junte-lhe o puré de castanhas e as amêndoas moídas. Misture muito bem mexendo constantemente. Cozinhe durante alguns minutos, retire a baunilha e deixe amornar. Bata muito bem as gemas e as claras e envolva com o doce. Leve de novo ao lume para cozer os ovos sem ferver demasiado. Já fora do lume adicione a manteiga e misture de novo. Distribua o doce por pequenas taças.



Castanhas de chocolate

Ingredientes:


300 g de castanhas cozidas ;
1 requeijão ;
2 colheres de sopa de coco ralado ;
2 colheres de sopa de açúcar ;
3 colheres de sopa de castanha assada e ralada ;
200 g de chocolate em barra ;
75 g de manteiga

Confecção:

Passe pelo passe-vite as castanhas cozidas e o requeijão. Junte ao puré obtido o açúcar, as natas e o coco. Junte o chocolate, previamente derretido em banho-maria, e a castanha ralada. Misture muito bem. Tenda as pequenas bolas em forma de castanha. Passe-as por açúcar pilé e coloque-as em caixinhas de papel frisado.


fonte: Câmara Municipal de Sernancelhe