domingo, janeiro 28, 2007






Agradeço pelo Destaque Especial do seu blog, fiquei muito feliz em receber este prêmio...quero aproveitar para te desejar uma semana repleta de Saúde e muita Paz!
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Nostalgia ou talvez não.
Lembro-me quando adolescente sonhar com um rádio que se programa-se para se desligar sozinho, eu deitava-me e adormecia ao som da, vigésima terceira hora e os cinco minutos de jazz (programa muito em voga na Rádio Renascença diariamente das 23,00 às 2,00 horas), claro que de manhã já quase não tinha pilhas e só dava para mais uma noite a ouvir telefonia. Antes ainda, por volta dos meus oito anos sonhava como deveria ser bom poder estar todo o dia a ver desenhos animados, claro que na altura só via na época de Natal e me levavam ao cinema, antes de apresentarem o filme principal davam um ou dois desenhos animados, ou um bocadinho na televisão de vez em quando.
Lembro-me dos telefones, que só alguns tinham em casa (assim como as televisões), aparelhos pretos e pesados, para marcarmos o número tínhamos de colocar o dedo numa roda numerada e roda-la até uma pecinha metálica. Fora de casa à cautela devíamos ter sempre connosco uma ou duas moedas de 5 tostões para colocar na cabine em caso de absoluta urgência. Não se riam, mas tinha um colega que tinha uma moeda de 5 tostões furada e com um cordel, colocava a moeda na cabine ela caia na caixa, a chamada era feita após a qual se puxava-se o cordel e a moeda saia, a moeda dava para fazer todas as chamadas.
Também de ter que esperar que a televisão aquecesse as válvulas até aparecer a imagem e de ter de me levantar para aumentar ou diminuir da TV, canal era só um, dos electrodomésticos, pesados e enormes.
Recordo-me ainda de Portugal quase parar para ver a o festival da canção da Eurovisão ou o Zip-Zip.
Da censura proibindo filmes e peças de teatro, tanto por questões politicas como por idades, a faixa etária para cada filme era maiores de 6, 12 e 18 e um escalão criado especialmente para filme, “Helga O segredo da maternidade”, maiores de 21 anos, devido à minha fraca estatura, lembro-me de já ser casada e de maioridade e pedirem-me o B.I. na portaria do cinema para entrar e ver o filme.
As máquinas de escrever, com uma fita correctora branca para corrigir os erros quando se escrevia mal uma palavra (estas já eram muito avançadas e só as grandes firmas as tinham).
As embalagens convencionais eram feitas de papel pardo, o açúcar a farinha a fruta e outros bens de consumo eram vendidos nesses pacotes de papel, por vezes com muito peso nas dobras do fundo, pois para fazer peso e enganar o cliente, no lugar da cola punham uma massa que mais parecia cimento.
Da recolha do lixo, o balde forrado com jornal que todos os dias era colocado à porta de casa para os homens há noite no carro do lixo esvaziarem e tornarem a coloca-lo no mesmo sitio e o morador o recolher pela manha.
Das fraldas de pano, com criei as minhas filhas assim, fazia parte do enxoval pelo menos 2 dúzias de fraldas de boa qualidade. Todos os dias a máquina de tinha de lavar fraldas e de seguida eram colocadas no estendal que ficava todo branco cheio delas.
Havia o carro eléctrico com os bilhetes operários, assim se chamavam, eram para quem apanhava o transporte até às 7 horas 30minutos da manhã (operários, daí o nome) , o bilhete custava 7 tostões e dava para a ida e volta, eu tinha dez tostões todos os dias para ir para a escola, comprava o bilhete operário e poupava três tostões, que davam para comprar um chupa às escondidas, pois diziam-me que eram uma porcaria feito sem higiene, mas se as minhas colegas não ficavam doentes eu também não ficaria.
Era esta infância sem cadeiras próprias para crianças, sem piscinas, sem shopping, sem telemóveis nem Internet e não era tão má como pode parecer.



17 comentários:

Papoila disse...

Olá Querida Aldora uma infância tão parecida com a minha. Os cartuchos da mercearia, a merceria propriamente dita comaquelas caixas gavetas onde se guardavam os géneros vendidos a peso. O cheiro da merceria. O sabão de barra e as fraldas, as fraldas de algodão bem mais saudáveis que as de celulose. Também a mim já casada me pediam o BI para entrar no cinema.
Sabes de que também saudades do rapa. Nunca mais encontrei um rapa que fazia parte das minhas brincadeiras no natal e jogavamos a pinhões.
Beijo

oteudoceolhar disse...

Menina dos gatinhos que mimo de infância...ainda me recordo de algumas coisas apesar de ainda ser uma miúda :)...As mercearias, ir ao pão com o saquinho feito em croché pela vóvó...ir á vacaria buscar o leite...e viviamos talvez e em alguns dos casos bem mais felizes...As tuas histórias são um mimo, adorei. Boa semaninha pa ti beijo n´oteudoceolhar **

Zé (do beco) disse...

E engarrafamentos, só em dia de futebol na Luz ou em Alvalade. Passeios livres de carros para podermos passear. Andar na "boa-vai-ela" até altas horas da noite e regressar a casa a pé, atravessando o Parque Eduardo VII sem ser assaltado.
Havia muita miséria (e hoje ainda há mais) mas como na generalidade éramos todos pobres, nem dávamos pela diferença.
Duma certa maneira, vive-se melhor agora mas tenho saudades desse tempo. quanto mais não seja porque tinha 14 ou 15 anos e agora tenho 54 (eheheh).
Beijinhos Aldora. E não penses no passado que ficas triste.

luar disse...

lembri-me de uma vez que fui com os meus sobrinhos ao cinema ver o Bambi e era para 6 anos, ora eu e um dos meus sobrinhos só tínhamos 5 e meio e quando o porteiro perguntou a nossa empregada se tínhamos todos 6 eu muito depressa disse que era mentira pois eu e o Pedro só tinhamos 5 e meio! Resultado não pudemos ir e os meus sobrinho´queriam bater-me...lol
Cheguei a casa ainda ouvi da minha mãe e da minha irmã. Resumindo nunca mais contradisse os mais velhos!!!

Luisa disse...

A minha infância e juventude também foi passada assim. Esqueceste-te duma coisa: o tanque de lavar roupa porque as máquinas só apareceram mais tarde... Era uma trabalheira mas lá fomos sobrevivendo...
Quanto à neve, também ouvi dizer que caiu no aeroporto mas aqui em Alvalade não dei por ela. Só se foi de manhã muito cedo.

kaldinhas disse...

Ai amiga,também eu tenho saudades de tanta coisa.Saudades do cheiro q sentia quando entrava na mercearia,daquele papel de embrulho.Tivemos uma infância muito parecida, com essas coisa todas para hoje recordarmos.
Parabéns pelo destaque.Tu mereces todos os destaques.
Bjos grandes e boa semana

Maria Elisa disse...

Olá Querida Arolda,como a tua infância,tem um pouco da minha,ainda lembo de ir ao cinema com o meu pai e levar ums sapatos,com um pouco de tacão para parecer ter mais idade,as fraldas dos meus filhos,foram iguais as tuas não haviam outras,quando os meus pais compraram o primeiro televisor,tinha-mos os visinhos a tocar a porta para ver,eu tenho saudades algumas desse tempo doutras não tenho,pois a minha juventude passada no Porto minha terra por causa da censura,tinha-mos de ter cuidado os estudantes se juntavam e fazia a vida negra a policia.
Arolda,ainda bem que alguém fala no saco para ir a padaria,hoje ningém liga a isso e ve-se o Planeta como está,de jogar ao rapa e tira na noite de Natal,agora os miúdos só querem telémoveis de primeira geração é o tempo,ou nós estamos a ficar velhos?..Não a idade está na cabeça de cada um pois se Deus der vida e saúde ainda ando para as curvas,e tu amiga..
Arolda obrigado pela amizade e carinho sobre a minha estreia no Blog,mas sou uma criança,que precisa aprender a andar,o que me dá ainda um pouco de aflição é colocar as fotos,vamos ver se aprendo.
Amiga beijinho
Maria Elisa

marli disse...

boa noite,



"A amizade aumenta a felicidade,
multiplica a nossa alegria,
e reduz a nossa dor!!!"
Beijão !

marli

selene disse...

olá!!!como vai essa menina raiozinho de luz??? eu estou cheinha de saudades de todas minhas estrelinhas.Cheguei de viagem e adorei ver vc. la na ,mimha casinha. Obrigada querida florzinha!! que sua semaninha venha repleta de coisas bôas tá? bjs. de luz no seu coraçãozinho.selene

MARLI disse...

"Aqueles que passam por nós,
não vão sós, não nos deixam sós.
Deixam um pouco de si,
levam um pouco de nós."

mil beijo
marli
e
mariana

Filipe Freitas disse...

Aldora: adorei ler este texto !
Como era tudo tão diferente... Recordações que nos deixam muitas saudades e que agora, muitos dos mais novos, nem querem acreditar como se vivia antigamente... dizem que era uma "seca"...
Beijinhos

Florinda disse...

oi Aldora! Eu vim agradecer pelos parabéns que deste ao meu blog e por teres comentado num dia especial, e assim como tu estou a comentar num dia especial aqui nos Açorea, hoje é o dia das amigas aqui, por acaso a nina quer ser minha amiga? Pois bem, quanto ao teu post achei muito interessante falares nos tempos antigos gosto de saber dessas coisas, e adorei ler e de ver o blog. Sabes o meu animal preferido é o cavalo, mas como não posso ter um dentro de casa tive um gatinho, eu gosto imenso também de gatos, mas infelizmente ele morreu. Por isso adorei ver esse teu blog. Beijinhos e sempre que quiseres podes visitar o meu blog.

Ivan disse...

É. As instantaneidades do mundo.

P@tty disse...

Oiêêêê!!!!
Estive muitos dias ausente
devido à um probleminha no
meu PC,aliás...um problemão,
mas que já está resolvido.
Que frio heim amiga??Estou
à beira de congelar,kkkkkkk
Adorei teu post, aliás são todos
ótimos.Acho que infância é coisa
do passado, agora as crianças são
obrigadas a crescerem muito depressa.
Vejo pelo meu filho e me dá um
aperto no coração,apesar de tentarmos dar o melhor para ele,mas
nem sempre é como gostaríamos que fosse :(
Mas que trabalhos lindos você anda fazendo heim!!Hummm...amei :)

Beijão minha querida e bom fim de semana!!!

sonia alves disse...

ola minha amiguinha que saudades eu ja tinha de voce ,ja estou de volta com algumas novidades dos meus pitukinhas ,venha depois ver ta ? mil beijokinhas e um optimo fim de semana

GATO ESCALDADO disse...

Eu não sou muito saudosista.Todas as épocas têm coisas boas e más.As nossas mães e avós também diziam que no tempo delas é que era bom.Fica sempre alguma saudade de momentos bons que vivemos,mas o mundo é composto de mudança e quando a Humanidade deixar de evoluir, extingue-se.BJS.

Quico disse...

É tu resististe? Tal como o Ventor e tantos outros. Cá andam vocês a falar do vosso passado. Actualmente já ninguém ouve falar dis crtuchos de papel pardo, do bilhete operário, das fraldas de pano cru, etç., mas ainda por cima, não esqueceste a 23ª hora! Foi com este programa que aprendi a gostar de músicas que não o vira do Minho, a chula, a canaverde ... Se a rapaziada de agora passasse por isso, não lhe faria nada mal. Bjs