sábado, janeiro 13, 2007


Um pouco de mim
Quando era miúda não queria ser, cabeleireira, médica outra coisa qualquer, a não ser costureira, isto porque as minhas colegas na escola primária faltavam às aulas para irem aprender o oficio, que era, costureira, eu morria de pena por não poder faltar à escola e fazer o que elas faziam. O meu pai bem me explicava que tinha de estudar e que isso era óptimo para o meu futuro, mas eu na minha inocência de criança não entendia, uma vez, ainda fui com uma colega ver aquilo que ela fazia, era tão giro, colocava alfinetes, fazia alinhavos, claro que o meu entusiasmo foi tão grande, que fiquei proibida de voltar a ir com ela. Depois como devia fazer uns desenhos engraçados e era tão pequena, todos me diziam que era uma artista, tinha que ser desenhadora.
Na verdade desenhadora não tinha dificuldade nenhuma, por isso tinha que ser essa a minha profissão, era simples. Vai daí que, após fazer o ciclo preparatório, dei comigo a estudar na Escola de Artes decorativas António Arroio. Daí a acabar o curso foi num instante, mas depressa percebi que ser artista não dava para encher a barriga ou para sustentar uma família. Claro assim que acabei o Curso achei que estava na altura de ter o meu próprio ordenado, tive sorte, que logo de imediato fiquei empregada como desenhadora numa grande empresa na época fazendo parte dos quatro desenhadores da Secção de Publicidade (há trinta e tal anos nem queiram saber a vaidade). Foram bons tempos, o ordenado era bom só tinha que seguir em frente, nem deu mais para pensar em prosseguir os estudos, as aulas de arquitectura naquele tempo eram uma seca tão grande (desenhar plantas de casas a “Rotring” marca do material para desenho profissional da época, com pormenores como, os lavatórios, as sanitas, as portas, janelas, paredes e tudo o mais), que depressa fiquei a detesta-las, as aulas de projecção também eram muito chatas, pois ter que imaginar os objectos no espaço em três dimensões (que maravilha hoje ver no computador os sólidos assim) a serem cortados por linha imaginárias. Por isso fiquei mesmo pelo meu cursinho da António Arroio, dois anos depois já era mãe e já não havia como para olhar para trás, tinha que sustentar a família e sempre para a frente, na época não tinha ajuda monetária da família nem pensava que isso fosse possível, hoje os pais vão sempre ajudando. Como dona de casa fui um desastre ao principio, nunca tinha cozinhado, sempre que fazia arroz ele crescia demais na panela, para fazer arroz para duas pessoas acabava por fazer arroz quase para um regimento, depois sempre tinha o meu marido mais experiente na cozinha que salvava a situação. Uma vez comprei erozes é da família das enguias, para fazer um ensopado, como a minha tia no Ribatejo fazia, bem, ainda hoje recordo, as bichanas a fugirem da panela pela cozinha fora, por de traz do fogão, por baixo, por tudo quanto era lugar, eu ia morrendo de medo aos gritos sem conseguir apanha-las, daí que até hoje nunca mais fiz as ditas bichanas, verdade seja dita que também hoje não se vende, tal é a iguaria que se calhar está em extinção. Resolvi então comprar uns livros de cozinha a um colega, na altura os livros custaram quase um mês de ordenado, mas ele dizia que podia pagar em prestações, como nunca gostei de prestações paguei a pronto e comecei a seguir as receitas passo a passo. Foi assim que cresci, de jovem a adulta, depressa sem muito tempo para pensar em outras vidas ou profissões, que não fosse trabalhar para criar as filhas que passaram a duas. Depois com o aparecimento dos computadores (quem precisa de desenhador), tive de aprender outras coisas como depois contarei, noutra altura.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Puzzle da vida
Penso muitas vezes se segui as opções mais acertadas na vida

Quantas vezes fiz escolhas erradas, ou teriam sido as certas?
alguma não sei se foram certas ou erradas, nenhumas são certezas são peças da minha vida
de algo melhor, ou pior, no trabalho e em tudo o que tenho feito.
A Tuxinha enviou-me este texto que achei que devia partilhar
por achar que tem a ver comigo na minha forma constante de me
questionar se fui perfeita nas escolhas que fiz.
Tento fazer tudo na vida com prazer, e não como uma obrigação.






Música que Frank Sinatra, My way.
My way
Meu jeito
And now, the end is near;
E agora, o final está perto
And so I face the final curtain.
Então eu enfrento a cortina final
My friend, I'll say it clear,
Meu amigo, vou dizer claramente
I'll state my case, of which I'm certain.
Vou contar minha história, da qual tenho certeza
I've lived a life that's full.
Eu vivi uma vida cheia
I've traveled each and ev'ry highway;
Eu viajei por todas as estradas
But more, much more than this,
Mas mais, muito mais que isto tudo
I did it my way.
Eu fiz do meu jeito
Regrets, I've had a few;
Arrependimentos, eu tive poucos
But then again, too few to mention.
Mas mesmo assim, muito poucos para mencionar
I did what I had to do
Eu fiz o que tive que fazer
And saw it through without exemption.
E fiz tudo sem isenção
I planned each charted course;
Eu planeio cada caminho
Each careful step along the byway,
Cada passo cuidadoso ao longo da estrada
But more, much more than this,
Mas mais, muito mais que isto tudo
I did it my way.
Eu fiz do meu jeito
Yes, there were times, I'm sure you knew
Sim, houve vezes, tenho certeza que você soube
When I bit off more than I could chew.
Quando dei um passo maior do que podia
But through it all, when there was doubt,
Mas passando por tudo isso,
quando havia uma dúvida
I ate it up and spit it out.
Eu guardava para mim mesmo e suportava calado
I faced it all and I stood tall;
Eu passei por tudo e fiquei de pé
And did it my way.
E fiz da minha maneira
I've loved, I've laughed and cried.
Eu amei, sorri e chorei
I've had my fill; my share of losing.
Meus tempos de fartura e minha parte nas perdas
And now, as tears subside,
E agora que as lágrimas estão acabando
I find it all so amusing.
Eu acho tudo tão divertido
To think I did all that;
Pensar que fiz aquilo tudo
And may I say - not in a shy way,
E posso dizer - não timidamente
"No, oh no not me,
"Não, oh não, não eu,
I did it my way".
Eu fiz do meu jeito".
For what is a man, what has he got?
Pois o que é um homem, o que ele tem?
If not himself, then he has naught.
Se não for ele mesmo, então não fez nada
To say the things he truly feels;
Para dizer as coisas que ele sente verdadeiramente
And not the words of one who kneels.
E não as palavras de alguém que se ajoelha
The record shows I took the blows -
A história mostra que suportei os murros da vida -
And did it my way!
E fiz do meu jeito!


A última pedra

Gosto de uma música que Frank Sinatra costumava cantar, My way.
O curioso é que só fui prestar atenção na letra dessa canção quando escrevia este texto.
Ela diz mais ou menos assim:
“Se eu acertei ou se errei, fiz isso da minha maneira”.
Quando olho para trás, percebo que fiz muitas asneiras.
Acertei bastante, mas também errei bastante.
Quando olho para diante, tenho certeza de que vou acertar e errar bastante também.
É impossível acertar sempre.
Mas o importante é que não gastemos nosso tempo nem nossa energia nos torturando.
A autocrítica pelo que não deu certo, além de ser nociva para a saúde, faz que a gente perca os passarinhos que a vida nos oferece no presente.
Um dia destes, um dos meus filhos me perguntou por que eu tomei determinada decisão estúpida tempos atrás.
Respondi que me arrependia do que tinha feito, mas expliquei que, naquele momento, minha atitude me parecia lógica.
Se eu tivesse o conhecimento e a maturidade de hoje, certamente a decisão seria diferente.
Por isso é que lhe digo: não se torture por algo que não deu certo no passado
Talvez você tenha escolhido a pessoa errada para casar.
Talvez tenha saído da melhor empresa onde poderia trabalhar.
Talvez tenha mandado uma filha embora de casa.
Não importa o que você fez, não se torture.
Existem pessoas que não prestam atenção no que fazem e depois passam a vida inteira arrependidas pelo que não fizeram, mas poderiam ter feito, e se martirizam por seus erros.
Se você está agindo assim, deixo-lhe uma mensagem especial:




não gaste seu tempo com remorsos nem arrependimentos.
Reconheça o erro que cometeu, peça desculpas e continue sua vida.
Você ainda tem muitas pedras preciosas no coração:
muitos momentos lindos para viver e muitos erros para cometer.
Aproveite as oportunidades e curta plenamente a vida.
Curta os passarinhos.

Eles são os presentes do universo para você!

(Roberto Shinyashiki)