domingo, fevereiro 18, 2007

Carnaval no nosso País



O Carnaval de antigamente não era como hoje um desfile de corsos e meninas a dançar com pouca roupa, como no Carnaval brasileiro. (Não nos podemos esquecer que na altura do Carnaval, no Brasil é Verão, mas cá não, brrrr...)

O mais genuino para mim, que perdoem os outros locais, mas talvez pela sua interioridade é em Trás- os -Montes com os Caretos
Diz-se que a tradição dos Caretos já vem de há muitos séculos, ainda antes do Cristianismo e está associada a práticas mágicas, relacionadas com os cultos da fertilidade na agricultura.
Um Careto é um homem disfarçado que anda pelas ruas de algumas povoações e aldeias do Norte de Portugal (especialmente em Trás-os-Montes) com uma máscara que serve para meter medo, fazendo de diabo à solta. Podem aparecer tanto no Carnaval como no Natal.
• Os caretos andam em grandes grupos, com máscaras de couro ou de madeira, muito feias. Vestem velhas colchas de lã transformadas em fatos de cores fortes como o verde, azul, preto, vermelho e amarelo (tudo às riscas).
• Para chamar a atenção e fazer todo o barulho que lhes é característico, os caretos usam grandes chocalhos pendurados na cintura e guizos nos tornozelos.
• Sabias que nos dias em que os caretos saem à rua, as meninas solteiras ficam em casa a vê-los pela janela?
Por isso eles trepam pelas varandas acima, para ir ter com elas e fazer muito barulho, mexendo a cintura para lhes bater com os chocalhos!
Diz-se que o homem, ao vestir aquele fato, torna-se misterioso e seu comportamento muda completamente, ficando possuído por uma energia que não se sabe de onde vem.
Nas crenças das pessoas os caretos tudo se permite nos dias de Carnaval.

Nas crenças das pessoas de Trás-os Montes e da Beira Alta, existe qualquer coisa de mágico em todo o ritual da festa que permite aos caretos fazerem coisas que os outros não podem.
Em todo o país se celebra o Carnaval mas bem antigo também é o de Torres Vedras.
O registo existe do Carnaval de Torres Vedras data do reinado de D. Sebastião, no século XVI?
O Carnaval de cada terra tinha o seu rei, o Rei Momo, que também tem uma rainha. A corte tem vários ministros (a fingirem ques estão sempre bêbedos) e imensas "matrafonas", que são homens vestidos de forma ridícula ou de mulher.
Normalmente há Zés-Pereiras ( eu tinha um medo muito grande dos Zés Pereiras quando criança) que acompanham e animam o desfile, a tocar bombo, ou "tropas fandangas" também a tocar e a fazer disparates. Também aparecem gigantones e outros disfarces.
Cegadas
Ora essa expressão vem de uma tradição do Entrudo (Carnaval) português em que as pessoas faziam cegadas para se divertirem.
A característica mais importante da cegada é o facto de ser uma oportunidade para, estando disfarçado dos pés à cabeça, «gozar» com pessoas (importantes) que normalmente se respeitam, mas são irritantes, pregar partidas e até mesmo criticar o governo ou os governantes.

Eu recordo – me das cegadas em Campo de Ourique num bairro Lisboa onde morei quando criança, lembro-me das pessoas que faziam as cegadas a fugirem á policia.
Nos anos 60 do século XX, o nosso governo proibiu as cegadas (por causa das críticas políticas, que na altura não se podiam fazer). Este foi o tempo das «grandes cegadas», porque, apesar de serem proibidas, muitas pessoas continuaram a fazê-las
As cegadas eram uma forma de crítica que revelava o sentido humorístico malicioso do nosso povo. A melhor altura para o fazer era sempre o Carnaval - quando «ninguém leva a mal».
São uma tradição mais típica do sul de Portugal e as que ainda se mantêm são as de Sesimbra, Ourique, Odemira e outras.
Normalmente, acabam por se tornar até o tema do Carnaval desse ano, figurando alguns acontecimentos cómicos ocorridos durante o ano. E aí toda a gente se diverte!
Tenho andado afastada do Bloguinho mas estou bem, em breve visitarei todos.
Um obrigada ao meu primo que me enviou a foto de cima, nem tinha conhecimento que dela.